ALVOS FACÉIS
(“Soft Targets,” July/August 2007)
Por Janice Rosenberg
Recentemente a violência nos shoppings tem requerido que os gerentes de propriedades avaliem com muita cautela a questão da segurança.
O Shopping Trolley Square é um dos mais badalados em Salt Lake City - conhecido pela originalidade de algumas de suas lojas se localizarem dentro de vagões de bondes do século 19. É também conhecido pelo tiroteio mortal que ocorreu no início deste ano.
Em Novembro, um atirador solitário, equipado com armas de baixo calibre atirou em nove pessoas, matando cinco e ferindo quatro. Esse lamentavel incidente se encerrou quando a polícia matou o atirador.
Apesar de um ato de violência isolado, o tiroteio no Trolley Square Mall enfatizou aos proprietários do centro comercial e aos gerentes a necessidade absoluta de propiciar segurança de alto nível aos seus clientes e donos de lojas.
“Proprietários e gerentes de lojas estão sempre em busca de novas formas de aprimoramento da segurança” disse Charles Waldron, Vice Presidente de Gerenciamento de Imóveis da Macerich, empresa localizada em Santa Mônica, na Califórnia.
FATORES DE LIMITAÇÃO
Nem o Conselho Internacional de Shopping Centers (ICSC) ou agências do governo como o Departamento de Justiça, o FBI ou Comissão de Comércio Federal mantém estatísticas referente a violação da segurança.
Patrick Kierna, Agente especial de FBI em Salt Lake City, que trabalhou com a polícia de Salt Lake City no tiroteio do Trolley Square, disse que nunca tinha visto um incidente deste nível em seus vinte anos de FBI.
Recentes acontecimentos similares ao tiroteio do Trolley Square têm levantado preocupações. Em Abril, uma série de tiroteios apavorou a todos no Ward Parkway Center, na cidade de Kansas no Missouri, deixando três pessoas mortas. Em 2006 na véspera de Natal, um homem armado matou uma pessoa no Shopping Boynton Beach na Florida, causando imenso caos.
Atualmente o medo de terrorismo em shoppings centers tem crescido em alta escala. Mais de sessenta ataques terroristas ocorreram em 21 países entre os anos de 1998 e 2005, de acordo com informações do relatório de 2006 intitulado “Reduzindo Ataques Terroristas nos Shopping Centers” [Reducing Terrorism at Shopping Centers] produzido pela Rand Corporation em Santa Mônica, Califórnia.
Nenhum desses ataques ocorreu nos Estados Unidos, no entanto o ataque de 11 de Setembro indica claramente que a nação não esta imune ao terrorismo, e muito menos os shoppings centers. De fato, o Grupo Anti-Terrorismo, parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos [Dept. of Homeland Security] , impediu um criminoso de executar o plano de explodir várias granadas em lixeiras no Shopping CherryValle em Rockford, Illinois - Dezembro de 2006.
“Todos nos devemos estar alertas quanto aos atos terroristas” diz Marcello, Vice-Presidente Executivo da IPC Corporation em Bannockburn, Illinois. “Nós fazemos o máximo possível para ficarmos atualizados. Estamos constantemente implementando nosso sistema de segurança para que as pessoas não notem a nossa rotina diária”.
Os Estados Unidos tem aproximadamente 45.000 shoppings centers, de acordo com informação do Conselho Internacional de Shopping Centers. Devido aos shoppings não serem providos de serviço de revista nas entradas, muros, por não utilizarem cães-farejadores ou máquinas de raios-X, o Departamento da Segurança dos Estados Unidos os consideram alvos fáceis.
O público considera os shoppings um lugar descontraído, ideal para encontrar amigos, se divertir, fazer compras, não havendo dúvida que altas medidas de segurança afastaria um boa parte da clientela, diz Scott Born, Vice-presidente de Relações Incorporadas para Valor Security Services em Marietta, GA. Empresa focalizada exclusivamente em seus 160 clientes, todos localizados em shopping centers.
“Não há a mínima possibilidade de se considerar o uso de cães-farejadores, muros, serviço de revista com raios-X – eu não acredito que o público toleraria tudo isso – as limitações da nossa segurança são definidas pelo ambiente que operamos” diz Born. “As portas são abertas de manhã e as pessoas entram. Não podemos sair revistando todas as bolsas ou mochilas”.
AUMENTANDO A SEGURANÇA
Afim de tratar da possibilidade dos ataques terroristas em shopping centers, representantes do ICSC e do Departamento de Segurança dos Estados Unidos se reuniram para discutir a segurança nos Shopping, logo após o incidente de 11 de Setembro. Desde então, gerentes de shoppings e empresas independentes de segurança têm implementado uma variedade de estratégias para aprimorar ainda mais a segurança.
“O ataque de 11 de Setembro foi um grande alerta a nação e os shoppings fazem parte. Trouxe novas preocupações que devemos levar em grande consideração”, disse Waldron da Macerich. “Gerentes começaram a reavaliar toda a segurança para assegurar que eles têm tomado as medidas cabíveis.”
Oficiais de várias organizações sugeriram que gerentes de shoppings tomassem medidas simples como: melhoramentos no sistema HVAC, bloqueio de acesso ao telhado, maior cautela quando as entregas são realizadas e o uso de barricadas. Outros recursos que podem aumentar a segurança incluem a boa iluminação, número limitado de rotas de fuga e reforço do policiamento nas comunidades próximas aos shoppings.
Pesquisa realizada pela RAND Corporation apontou que métodos tradicionais de segurança como: instalação de postes de iluminação na entrada dos shoppings [área de pedestres], busca por sacos/bolsas abandonadas no shopping, revista no interior dos veículos e incentivar o público a informar a segurança caso encontrem pacotes suspeitos, estas medidas são altamente eficazes e deveriam ser colocadas em prática.
A Valor esta adicionando patrulhamento ciclistas nos shoppings onde fornecem segurança. Também está adicionando seguranças armados em horários estratégicos. Scott Born, da Valor Security Services, diz que a empresa tem feito todo o possível para proteger os seus clientes.
Para assegurar uma aproximação mais sutil dos consumidores, os seguranças do Mall of America em Bloomington, Minnesota, são treinados em “Judô Verbal”. Seguranças são treinados a usar uma linguagem corporal menos agressiva e se comunicarem de forma amena afim de aliviar tensões com visitantes do shopping. Dan Jasper, Diretor de Relações Públicas do shopping reintegra que o treinamento é extremamente eficaz.
TECNOLOGIA CONTRA ATACA
Tecnologia é uma outra forma de realçar os padrões de segurança, diz Marcello da IPC. Atualmente, o uso das câmeras tem sido um dos assuntos mais discutidos entre gerentes de shoppings e empresas de segurança. O IPC oferece um circuito fechado de televisão para shoppings centers com intuído de proporcionar mais segurança.
“Muitos centros comerciais consideram a tecnologia uma grande aliada no aprimoramento da segurança.” dize Marcello.
General Growth Properties Inc., em Chicago, possui o controle acionários de várias propriedade e também é responsável pelo gerenciamento de mais de 200 shoppings centers naquela região. A empresa está interessada em adquirir o sistema inteligente de vigilância mais avançado disponível no mercado - Video Analytics.
Com o vídeo analytics a câmera pode ser configurada para captar e reagir a certas situações. Caso a câmera capte imagem de um indivíduo andando pelo estacionamento e em seguida capte imagem de vários outros indivíduos indo ao encontro dessa pessoa, um alarme soará e alertará a pessoa que esta monitorando a câmera.
O vídeo analytics é um sistema da câmara de segurança inteligente, e também as imagens captadas por ela. "Se a câmera captar imagens compatíveis com critérios previamente estipulados, um alarme soará, alertando o operador da câmera”, disse David Levenberg, Vice-presidente de Segurança da General Growth.
Geralmente existem 60 á 125 câmeras monitorando um shopping e somente uma a duas pessoas monitorando as câmeras, fazendo com que esse tipo de alarme seja de extrema importância.
General Growth também envia vídeos de várias câmeras diretamente para a central de polícia, a qual transmite diretamente aos carros patrulhas via internet sem fio [no momento, em fase experimental], que permite os policiais terem acesso aos vídeos de segurança do shopping através do laptop de seus carros.
ORGANIZANDO A SEGURANÇA
Toda a tecnologia do mundo, tais como: iluminação ou barreiras de concreto não irão conseguir elevar a segurança, caso o sistema não seja operado por pessoal altamente qualificada. Contratar e treinar oficiais de segurança é uma tarefa de extrema importância.
Levenberg diz que contratar empresa de segurança terceirizada pode ser benéfica devido ao fato de eles estarem inteiramente focalizados em proteger a propriedade, enquanto o gerente de propriedade pode dedicar sua atenção a outros aspectos diferentes da gestão imobiliária.
“Segurança é um ramo que requer pessoal qualificado e focalizado exclusivamente na área, conseqüentemente são melhores em recrutar, treinar e mantê-los do que nós”, diz Levenberg.
Muitos proprietários e gerentes de shoppings têm optado por empresas especializadas em segurança. Taubam Center Inc. em Bloominfield Hills, Michigan, que possui e/ou gerência 23 shoppings espalhados pelo Estado Unidos, esta trabalhado em parceria com a IPC desde 2003 devido à empresa proporcionar treinamento de última geração, equipamentos de alta qualidade e suporte especializado, diz Ken Ruona, Diretor de Operações da Taubman.
Contratar empresa de segurança terceirizada também por ser uma boa forma de economizar. Um shopping com cinco seguranças receberá a mesma cotação de preço [para a prestação do serviço] semelhante a um outro shopping com 15 seguranças, quando uma corporação é proprietária de ambos shoppings. Além disso, a segurança terceirizada não faz parte da folha de pagamento, ou requer gastos com benefícios ou seguros, diz Jon Lusher, Vice Presidente Executivo do IPC.
Terceirizando ou não, oficiais de segurança necessitam de treinamento. Macerich Shopping Center oferece um programa de treinamento intensivo que cobre todos os tipos de shoppings, ensina como agir em caso de emergências médicas e também técnicas confidenciais de segurança, diz Waldron. Um Gerente de Serviços e um Segurança treinam novas equipes de segurança em cada Macerich Shopping, que também conta com o auxilio de instrutores externos e em alguns casos a polícia local.
Valor inicia o processo de seleção dos candidatos através do exame anti-drogas, verificando registros criminais e efetuando uma avaliação psicológica. A empresa tem preferência à candidatos que tenham experiência militar ou policial.
"Ao receber treinamento de percepcão o candidato adquire habilidade de reconhecer atividades suspeitas, tais como: identificar indivíduos que estão desde passeando, fotografando, filmando até tentando entrar em áreas restritas, fazendo várias perguntas suspeitas do tipo a que horas será a troca de turno dos seguranças", Born diz.
Gerentes de Shoppings e agentes de segurança precisam estar consciente da necessidade de controlar o crime nas redondezas da propriedade. Levenberg diz que é essencial ao Diretor de Segurança ter um bom relacionamento com o departamento de polícia local.
Integrar técnicas tradicionais de segurança, tecnologia e pessoal altamente qualificado e um plano de segurança que não venha comprometer a satisfação e o espaço do público é realmente um grande desafio que requer imaginação e planejamento. Também requer que prioridades sejam definidas, para que os shoppings se transformem mais seguros, diz Tom LaTourrete, Cientista Físico da RAM.
“A pergunta é ´Será realmente possível conseguir aumentar a segurança?´” La Tourrette diz. Evidentemente sim. O verdadeiro desafio é como priorizar as opções e colocá-las em ação racionalmente. "Você nunca conseguirá transformar o shopping em uma fortaleza, porém há meios de elevar o nível de segurança e reduzir riscos".
SUPERANDO O TERROR
Em 1º de Abril de 2007, o Conselho Internacional de Shopping Centers (ICSC) introduziu o Programa de Formação da Consciência ao Terrorismo. Criado com os esforços de colaboradores de alto nível em conjunto com a Universidade George Washington, em Washington, DC, o curso é auto-explicativo [em DVD e caderno de exercícios]. Agentes de segurança que concluem o curso são devidamente registrados no sistema da universidade.
É o primeiro curso anti-terrorismo regularizado e desenvolvido exclusivamente para agentes de seguranças especializados em shoppings, o curso tem a duração de aproximadamente 14 horas. Aqueles que concluem o curso recebem um certificado da universidade.
“Eu acredito que seja um programa original,” disse Paul M. Maniscalco, Cientista de Pesquisa Sênior da Universidade George Washington, que auxiliou na desenvolvimento do curso. “Enquanto os princípios de treinamento da consciência permanecerem homogêneo através de disciplinas diferentes, tais como: o do corpo de bombeiros e o departamento de polícia, sua aplicação no ambiente de funcionamento de shopping center é original.”
Esse é um programa de alto impacto, o qual obedece as normas e padrões do Departamento de Segurança dos Estados Unidos [Dept. of Homeland Security] .
“É um excelente programa e estamos muito empolgados com ele,” disse Joe Marcello, Vice-Presidente Executivo de Operações Nacionais da IPC Internacional Corp., uma companhia de segurança de Bannockburn, Illinois. “A Universidade George Washington elaborou esse programa incrivelmente bem. Eu tive o prazer de fazer parte desse projeto, juntamente com outros profissionais especializados em segurança e nós criamos um programa adequado. Trabalhar em parceria com a Universidade George Washington foi uma oportunidade de aprimorar nossa experiência e acreditamos que isso nos tornou ainda melhores no que fazemos.” |